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Os advogados estão no topo


Os diretores jurídicos são os campeões de valorização, com aumento médio de 113% na remuneração nos últimos anos.

Nos últimos anos, poucos profissionais ganharam tanto prestígio nas grandes empresas brasileiras quanto os advogados. Antes limitados a resolver pendências na Justiça -- dos habituais processos trabalhistas a brigas contratuais --, os departamentos jurídicos se transformaram em áreas estratégicas dos negócios. Hoje, advogados estão envolvidos em movimentos que vão dos processos de internacionalização à abertura de capital nas bolsas de valores, da adequação às regras internacionais de governança corporativa à gestão de eventuais crises de imagem. Advogados e negócios estão unidos umbilicalmente. Era, portanto, inevitável que o passe desses profissionais subisse dramaticamente de valor. Segundo levantamento realizado pela consultoria Hay Group, entre 1997 e 2005 a média salarial dos diretores jurídicos cresceu 113%. Nenhuma das demais 14 áreas pesquisadas apresentou evolução semelhante. "As grandes empresas estão investindo pesado na formação de profissionais e na busca de talentos para seu departamento jurídico", afirma o headhunter Luiz Wever, sócio da consultoria Ray & Berndtson.

A evolução na remuneração foi acompanhada de uma dramática mudança no perfil dos executivos jurídicos das grandes empresas. Eles tiveram de deixar o estigma de técnicos, meros analistas de leis e códigos. Hoje são homens e mulheres de negócios, com conhecimento específico em áreas como direito internacional, societário e tributário. Presentes em negociações globais, devem dominar uma terceira língua -- de preferência, o espanhol. "Hoje as funções são muito mais complexas e menos burocráticas", diz a advogada Renata Resegue, de 37 anos, gerente do departamento jurídico da Elevadores Atlas Schindler, em São Paulo. Renata chegou à empresa depois de ocupar cargo semelhante na Tintas Coral durante cinco anos. Descoberta por uma consultoria de recursos humanos, acabou sendo fisgada pela Atlas em 2005. Na troca de emprego, seu salário mais que dobrou. Para adequar-se aos novos tempos da função, Renata passou a cursar MBA de gestão empresarial.


Por: Luciene Antunes

 

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