Entrevista

Serviço de consultoria da Central Prática com volume de trabalho 6 vezes maior em 2007: leia a íntegra da entrevista com o presidente da empresa, Mauro Scheer Luís

O serviço de consultoria estratégica para escritórios de advocacia prestados pela Central Prática apresentou, até o terceiro trimestre de 2007, um volume de trabalho 6 vezes maior que o mesmo período de 2007. Segundo o presidente da empresa, Mauro Scheer Luís, o impressionante aumento foi ocasionado por vários fatores. Veja a íntegra da entrevista:

Qual foi a causa do incremento na área de consultoria da Central Prática?

Sem dúvida, não podemos falar em uma causa isolada. Tenho certeza que foi uma soma de fatores. Vou elencar alguns deles:

1) a conscientização do advogado de que a gestão dos escritórios precisa ser profissionalizada;

2) maior abertura dos escritórios quando à tomada (iniciativa) de atitudes de marketing (uma vez que os advogados estão percebendo que o marketing diferencia-se da propaganda - proibida pelo Código de Ética Profissional - e da publicidade, que também é restrita pela legislação);

3) inexperiência de alguns consultores. Infelizmente cerca de 30% do nosso serviço é um conserto ou implantação de consultorias anteriores. É freqüente consultores iniciarem o trabalho (fazendo entrevistas, observações, etc...), sugerirem ações a serem implementadas, mas muitas vezes acaba por aí, ou seja, o projeto não é efetivamente implantado. O sócio do escritório fica com uma péssima sensação, pois muitos dos problemas elencados pela consultoria já eram de conhecimento da administração do escritório, e o que faltava era implantar soluções. Nesses casos, quando somos contratados, fazemos uma revisão da primeira parte da consultoria para que rapidamente possamos implentar as ações necessárias;

4) estamos no mercado há 7 anos, é inegável que quanto mais tempo de mercado tivermos, maior será o crescimento da empresa, considerando não só o tempo de maturação de uma marca mas também o fato da própria consultoria ser um serviço que envolve confiança, e a propaganda boca-a-boca tem feito muito bem esse papel.

A consultoria está restrita a São Paulo?

Não. São Paulo tem perdido muitas indústrias e empresas. A central de inteligência de muitas empresas ainda está aqui, mas a migração industrial que está ocorrendo há alguns anos também produziu efeitos na área jurídica. Para se ter uma idéia, apenas metade de nossos clientes de consultoria são do Estado de São Paulo. Em segundo lugar, vem o Rio de Janeiro, e depois, de forma mais pulverizada, a região Sul, Minas Gerais e nos últimos meses estamos observando um crescimento grande no Nordeste, especialmente em Recife, Salvador e Fortaleza. Também temos clientes pontuais em outras localidades, como Norte e Centro-Oeste, mas são exceções.

Como é feito o serviço quando o cliente não é de São Paulo?

O custo final para o cliente não chega a ser muito maior do que se ele estivesse sediado em nosso Estado. Isso ocorre principalmente por 3 motivos: alguns de nossos consultores não são de São Paulo, e o custo de deslocamento pode ser menor; em segundo lugar, eu sempre brinco dizendo que em nossa consultoria não temos champagne, ou seja, fazemos o serviço de uma forma enxuta, para racionalizar custos. As passagens aéreas, por exemplo, são compradas pelo cliente na companhia mais barata, porque o que importa é chegarmos ao destino e fazermos o nosso trabalho, e não se importar com a qualidade do lanche a bordo. Em terceiro lugar, temos algumas estratégias de minimização de custos, alguns serviços feitos à distância, mas essa estratégia é definida em cada caso específico.

Quais são as principais atribuições da consultoria?

Nossa consultoria é divida em 3 áreas principais: administrativa-financeira, recursos humanos e de marketing. Em muitos casos, fazemos um "pacote", de forma a englobar os 3 serviços num só contrato, até porque muitas necessidades passam por mais de uma área. Vou dar um exemplo: estamos fazendo um trabalho num cliente de Brasília que tem um grande problema com a recuperação das despesas reembolsáveis. Ao analisar o problema, concluímos que além de faltar um sistema eficiente de informática, integrado ao de processos, existiam aproblemas estruturais de recursos humanos, com a deficiência de atribuição de funções, etc... Veja que um problema desse abrange tanto a área administrativa-financeiro como a área de recursos humanos.

Qual das 3 áreas apresenta maior demanda?

Sem dúvida alguma, em pequenos escritórios a prioridade é o marketing. Em médias estruturas, além do marketing, geralmente contrata-se também a parte administrativo-financeira. Em grandes escritórios, há maior número de contratações para as áreas administrativo-financeira e de recursos humanos.

O valor dos serviços ainda assusta?

O advogado não pode olhar isoladamente o valor do serviço; é necessário considerar o custo-benefício. Além disso, buscamos estar sempre próximos ao cliente, e não costumamos, justamente por esse motivo, entregar o serviço e pronto. Normalmente acompanhamos o escritório por um, dois ou até mais anos, e isso faz com que o valor dos serviços seja diluído durante a execução do contrato.

O prazo para execução dos serviços é longo?

Depende muito do serviço proposto; é o que eu disse há pouco: preferimos fazer contratos de médio e longo prazo, acompanhando o cliente durante mais de um ano. Entretanto, algumas situações demandam urgência e prioridade, e isso é levado em consideração em nossa proposta financeira. Atualmente, para alguns serviços, estamos assinando contratos para iniciar os serviços em fevereiro de 2008, em razão do grande crescimento de 2007. Em algumas áreas, não temos mais disponibilidade para iniciar em 2007.


Entrevista realizada por Rodrigo Sauerweing, em 5 de outubro de 2007.

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